RISCOS E OPORTUNIDADES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DISCUTIDAS NAS XVII JORNADAS CIENTÍFICAS
terça-feira, 16 junho 2026
O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, procedeu na manhã desta terça-feira (16), no Centro Cultural do Banco de Moçambique, à abertura das XVII Jornadas Científicas da instituição, no dia em que se assinala o 46.º aniversário do Metical, a moeda nacional.
Na sua intervenção, Rogério Zandamela afirmou que o tema da presente edição, “Regulamentação e Utilização da Inteligência Artificial no Sistema Financeiro Nacional: Riscos e Oportunidades”, assume um significado altamente relevante, “por nos colocar perante uma realidade que já não pertence apenas ao futuro, tendo em conta que a inteligência artificial já não se encontra apenas nos laboratórios, nas universidades ou nas grandes empresas tecnológicas”. Ela integra-se – asseverou – de forma cada vez mais visível no funcionamento do sistema financeiro, nos processos de decisão das instituições e na vida quotidiana dos cidadãos. “Ao trazer este tema para o centro da reflexão, o Banco de Moçambique reconhece esta realidade e participa, de forma responsável, na promoção de uma inovação financeira que reforce a confiança, a integridade e a estabilidade do nosso sistema financeiro” – fundamentou o dirigente.
Rogério Zandamela reconheceu que a inteligência artificial (IA) pode contribuir para o reforço da inclusão financeira, modernização dos produtos e serviços financeiros, maior rapidez nas transacções, melhoria do atendimento ao público, prevenção de fraudes e disponibilização de soluções mais acessíveis, seguras e ajustadas às necessidades dos Moçambicanos.
Para o Banco de Moçambique, elucidou Zandamela, a IA assume particular relevância, na medida em que pode apoiar a análise da política monetária, melhorar a qualidade das previsões macroeconómicas e reforçar a tomada de decisões em contextos cada vez mais complexos, para além do elevado potencial para fortalecer a monitoria da estabilidade financeira, aprimorar a supervisão do sistema financeiro e aumentar a segurança e a eficiência dos sistemas de pagamento.
Segundo o Governador, apesar das potencialidades desta tecnologia, a sua utilização levanta riscos associados ao uso inadequado de dados pessoais, à adopção de decisões automatizadas susceptíveis de prejudicar os consumidores, às ameaças à cibersegurança, ao risco sistémico decorrente da concentração tecnológica e à exclusão de pessoas com menor acesso digital.
Durante o seu discurso, o Governador partilhou algumas iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas no campo das tecnologias emergentes pelo banco central, ressaltando a aprovação da Estratégia de Transformação Digital 2025-2027 e a criação de uma task force dedicada à área da IA, a aprovação, este ano, da Política de Inteligência Artificial, que estabelece princípios orientadores destinados a assegurar que a tecnologia seja utilizada de forma segura, transparente e responsável – uma abordagem que resulta do conhecimento acumulado com algumas iniciativas de inovação financeira, como o Sandbox Regulatório, que permitiu testar em ambiente controlado soluções financeiras inovadoras, bem como do desenvolvimento de ferramentas digitais, como o Chatbot do Banco de Moçambique.
A terminar, Rogério Zandamela assegurou que o Banco de Moçambique continuará disponível para dialogar com o sistema financeiro, a academia, os inovadores e a sociedade em geral, e desejou que as Jornadas Científicas do Banco de Moçambique constituam um espaço de reflexão aberto e produtivo, capaz de gerar conhecimento útil para o futuro do nosso sistema financeiro.
Por seu turno, a oradora principal do evento, Emely Pujólli da Silva, docente e investigadora da Universidade Estadual de Campinas no Brasil, partilhou o seu profundo conhecimento no campo dos estudos relacionados com a IA, bem como resultados de pesquisas aplicadas ao sector financeiro, potencialidades e riscos associados a estas tecnologias.
Nesta edição – a mais concorrida de sempre, com 81 propostas de pesquisa –, o júri seleccionou três artigos, designadamente “Utilização da Inteligência Artificial para Automação e Análise de Vulnerabilidades em Sistemas Financeiros Legados”, da co-autoria de Grácio Kabongo e Harmónico Augusto; “Inteligência Artificial na Prevenção de Fraudes e Promoção da Estabilidade Financeira em Moçambique: Riscos Regulatórios e Oportunidades”, elaborado por Lucrécio Matuta, quadro do Banco de Moçambique; e “Modelo de Inteligência Artificial para o Sistema Financeiro: Regulação e Gestão Inteligente de Riscos em Moçambique”, da co-autoria de Izidine Jaime e Lúcia Macuácua.
Intervindo no encerramento do evento, o Administrador do pelouro de Operações Bancárias, Emissão e Fiscalização de Sistemas de Pagamento do Banco de Moçambique, Jamal Omar, a quem coube a moderação do debate e entrega de certificados aos autores, anunciou o tema escolhido para as XVIII Jornadas, a terem lugar no próximo ano, nomeadamente “O Dilema da Concentração de Recursos: Estratégias para Mitigar o Risco do Paradoxo da Abundância em Moçambique.”
De acordo com o Administrador, a eleição deste tema justifica-se pela possibilidade de vir a oferecer uma reflexão sobre o potencial da exploração dos recursos naturais emMoçambique. com destaque para o gás natural, como uma oportunidade histórica para desenvolver o País.
Participaram no evento membros do Conselho de Administração e Assessores do Banco, dirigentes e representantes de instituições públicas, académicas e centros de investigação, instituições de crédito e sociedades financeiras, Gestores e técnicos do Banco.
